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quinta-feira, 12 de março de 2009

Bush, O Jornalista e as Sapatadas


O jornalista iraquiano Muntadhar al-Zaidi foi condenado ontem (10/03) a três anos de prisão pelo Tribunal Central Criminal do Iraque por ter atirado um par de sapatos no ex-presidente americano, George W. Bush, no dia 14 de dezembro.

O tribunal aceitou o argumento da defesa, que alegou que a atitude do jornalista foi uma ofensa, e não um ataque a um chefe de Estado. Caso contrário, o repórter -- que afirmou ter treinado antes -- poderia pegar até 15 anos de prisão.

Em grande parte do Oriente Médio, jogar sapato contra uma pessoa é um grave insulto. Significa que a pessoa vale menos que um calçado, que fica sempre no chão, sujo. Antes de jogá-los em direção a Bush, o jornalista gritou "É o beijo de despedida, seu cachorro!", outra ofensa seríssima para os árabes. O primeiro-ministro iraquiano ainda fez um gesto para proteger Bush dos sapatos.

A atitude de Zaidi o transformou em um herói nacional e gerou protestos públicos por todo o mundo contra a política internacional dos EUA.

Relembre a ação:




Mas não dá pra dizer que todos saíram perdendo com o fato. A bem da verdade, os envolvidos tiveram vantagens com o acontecido:

- O ex-presidente acabou se tornando vítima apenas moralmente, já que tem um reflexo digno de Matrix.

- A fábrica dos calçados usados no ato, Baydan Shoes Company, chegou a ter um aumento de 1.000% no número de pedidos mensais ao Iraque, passando de 15 mil para 300 mil pares.

- Já o jornalista Muntadar al-Zaidi também teve bons motivos para sorrir: se tornou heroi nacional, teve à disposição mais de 100 advogados dispostos a defendê-lo, recebeu uma oferta de 10 milhões de dólares pelos sapatos jogados e, para completar, um egípcio ofereceu a própria filha, de 20 anos, ao novo mártir-vivo iraquiano. A moça, Amal Saad Gumaa, concordou com a idéia.


Para descontrair, abaixo temos 2 jogos que circularam pela internet. No primeiro, você é o jornalista e tem que acertar o maior número possível de sapatos no ex-presidente. O segundo te transforma em um segurança do ex-füher norte-americano:

(clique nas imagens para iniciar os jogos)
(Bom para relaxar, não?!)


(Eu sei que a tentação é grande, mas a idéia do jogo é atirar nos sapatos, e não no presidente)


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

No ínterim das batidas do relógio

Presos. Condenados, Encurralados. Assim vivem, dia após dia, milhões de cidadãos iraquianos, que, no ínterim das batidas do relógio, descobrem que sempre maior é a contagem de conterrâneos mortos, sempre maior o desespero dos vivos; é sempre menor o respeito com os de seu povo, sempre maior é a insegurança. Vemos uma coexistência desses maiores e menores e não há paradoxo nosso. Ou talvez haja. Nota-se que quão menor é o risco de ataques aos Estados Unidos, mais se comenta sobre o assunto, e, proporcionalmente, maior é a opressão.

Opressão, ojeriza, rancor. Com Bush-pai ou Bush-filho. Por bem (?) ou por mal. Com estes elementos – ou sentimentos, e concordo que fui eufemista – é delineada a ocupação dos soldados norte-americanos no Iraque. Sem pudor, zelo, melindre. Por capricho hereditário ou ódio incontrolável.

Interesse eleitoral e petróleo e manutenção da supremacia. Motivos em voga que encobrem um sentimento xenofóbico muito mais denso, profano, insalubre. Pretensões torpes frente à questão de sobrevivência, ou à batalha por ela, perduram no País-Bomba. E destroem. E matam. Somem com crenças de adultos, com esperanças de jovens, com desejos e necessidades de todo um povo. E perduram, no ínterim das batidas do relógio.

Jhonatas Silva Franco

22/10/2008